
Pra começar, abrindo com chave de ouro, vou falar da cantora que na minha opinião é a menhor do Brasil, Marisa Monte, porque além de cantar lindamente, compõe a maioria de suas músicas, por isso sua alma está tão nelas, também é ótima musicista e conduz sua carreira de modo muito especial.
Quando surgiu com seu primeiro álbum "MM" (1989), interpretando lindamente canções já conhecidas em outras vozes, muitos talvez não poderiam supor que o crescimento e expansão de sua carreira tomariam a dimensão que têm hoje, Marisa é conhecida em todo o mundo e suas turnês a levam aos quatro continentes. No seu segundo álbum "Mais" (1992), ela inicia as parcerias que se manteriam constantes durante toda a carreira, com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, e também com outras pessoas que faziam parte de seu universo musical e gosto pessoal como Branco Melo e Nando Reis do grupo paulista Titãs, neste álbum já começa a apresentar mais claramente sua essência e traz alguns clássicos da música brasileira como "Rosa" de Pixinguinha e "Ensaboa" de Cartola e Monsueto. No álbum seguinte "Verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão" (1994), o meu queridinho, já com a carreira bem sólida Marisa mostra para que veio e ousa um pouco mais, trazendo uma linda versão para "Pale blue eyes" de Lou Reed, com parcerias incríveis com Gilberto Gil, Paulinho da Viola e a Velha Guarda da Portela, incrível! Dois anos depois vem com "Barulhinho Bom", um álbum duplo que traz um disco ao vivo e outro gravado em estúdio, o DVD que foi gerado deste trabalho contém encontros com grandes companheiros de trabalho como Arnaldo, Carlinhos, Paulinho da Viola e grandes ídolos como o reencontro dos Novos Baianos, lindo de viver... O ano 2000 bem recebeu o romântico e suplicante "Memórias, crônicas e declarações de amor", com canções sentimentais e emocionantes, trabalho que também deu origem a um livro de fotos e letras da cantora. O single de "A sua" foi lançado em 2001 trazendo também a bela "Ontem ao luar". Em 2002 o trabalho "Tribalistas", infinito de beleza e delicadeza, em parceria com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown e prometendo não haver continuação, surgiu para o país com suas lindas canções que utilizam objetos os mais inusitados como instrumentos, desde um aspirador de pó portátil até sinos e o barulho da sempre melódica e inspiradora chuva, o trabalho ganhou o mundo e foi premiadíssimo na Europa, haja coração... Depois de um gap de seis anos sem um lançamento de álbum solo, em 2006 Marisa lança dois simultaneamente, "Infinito particular", como bem já diz o nome mostrando o que há de mais íntimo no seu ser, agora já mãe, e "Universo ao meu redor" que canta o universo do samba, o qual Marisa sempre fez parte, tendo o pai como diretor cultural da escola de samba carioca Portela. É nesse momento que eu entro, foi na estréia dessa turnê em São Paulo que mesmo depois de já conhecer superficialmente a obra de Marisa me encantei com o seu trabalho e percebi pela primeira vez o que era o amor pela música, o que era nascer e viver pra aquilo, em um dos seus shows que fui escutei de uma pessoa que tinha saído dali uma pessoa melhor e percebi que aquilo não era em vão, nem mentira, pois Marisa em suas várias funções, intérprete, musicista, compositora, produtora, tem toda delicadeza de conduzir, por isso eu canto alguns dos versos de sua música representando um pouco o que ela vive em relação ao seu trabalho... "É o bonde do dom que me leva, os anjos que me carregam, os automóveis que me cercam, os santos que me projetam, nas asas do bem desse mundo, carrego um quintal lá no fundo, a água do mar me bebe, a sede de ti prossegue...".
